domingo, setembro 16, 2007

Aderentes X permanentes: o que se vê e não se vê na paisagem urbana paulista

Parece que o Conjunto Nacional esta prestes a se despedir do logotipo eletrônico do Banco Itaú. Já o seu relógio digital, tem grande possibilidade de permanecer atendendo à pressa dos paulistanos da mais paulista das avenidas. Em artigo publicado na Folha de São Paulo do dia 05/09/07, explica Juliana Prata, vice-presidente do Condephaat (conselho estadual de patrimônio histórico), que o logotipo do Itaú como todo produto publicitário, é um bem aderente ao imóvel. Logo, pode ser retirado sem descaraterizar o edifício. Da minha parte, se tirarem mesmo o logotipo do Itaú, vou sentir uma drástica mudança na fachada do Conjunto Nacional. O que não faz o hábito à memória...

Já no centro da cidade, é difícil alguém olhar para cima. E não é que na rua Barão de Itapetiniga há um letreiro do edifício Itá lá no alto do prédio. Aquilo não é bem aderente e ninguém pode tirar. Pelo tipo de letras, deve fazer parte da construção do prédio, então é " irremovível". Mas o que será que fez com que resolvessem colocar o letreiro do prédio lá no alto há tanto tempo atrás? Se alguém souber, ou imaginar, pode enviar para o Versão Paulo a explicação do mistérioso letreiro do edifício Itá.

por Paula Janovitch

Dois importantes bancos de imagens fotográficas de São Paulo estão disponíveis a partir deste mês via internet


Neste mês de setembro começam a ser disponibilizados na rede dois importantes bancos de imagens da cidade: os acervos fotográficos do Museu da Cidade e da Fundação Patrimônio Histórico, mais conhecida como antiga Light.
No Museu da Cidade, http://www.museudacidade.sp.gov.br/, dentre vários ambientes sobre serviços, casas históricos, atividades e acervos, localiza-se o banco de imagens que reúne grande parte da memória fotográfica urbana paulistana. As imagens do acervo de negativos da Divisão Iconográficos e Museus do Departamento de Patrimônio Histórico ainda estão sendo incluídas no banco de imagens virtual, mas já é possível se ter uma bela idéia de como fazer a busca e ver vários registros que até então só eram possíveis com a pesquisa no próprio acervo da Divisão. O banco de imagens do Museu da cidade esta incluido no projeto Casa da Imagem e tem acesso pelo site do Museu da Cidade.
A Fundação Patrimônio Histórico da Energia e Saneamento também lança neste mês seu banco de imagens fotográficas on-line. São cerca de 2.300 imagens de um total de 250 mil que vão ser publicadas no site da Fundação, http://www.fphesp.org.br/.
Conforme artigo publicado na Folha de São Paulo de 15/09/07, as imagens que estarão disponíveis on-line “mostram o início da urbanização paulistana vista, principalmente, pela abertura dos trilhos dos bondes”. Algumas imagens já são velhas conhecidas de pesquisadores e amantes da cidade. Principalmente aquelas que foram publicadas nos famosos álbuns da Light. Mas, entre as 2.300 imagens, muita coisa ainda pode ser revelada e vista sobre a cidade da Light.
por Paula Janovitch

sábado, setembro 15, 2007

Ocupação no ringue

Embaixo do viaduto do Café, na Bela Vista, até bem pouco tempo atrás havia uma verdadeira academia de ginástica que reunia instrumentos de ginástica, um ringue de boxe e até um espaço para biblioteca. Numa das vezes que passei por ali a pé fui convidada pelo treinador a entrar e visitar a academia. Achei interessante o lugar, uma sucata de sonhos de outras academias que naquele lugar criava nova vida. Imaginei aquilo à noite, iluminado, repleto de pessoas gritando e torcendo. Depois de muito tempo, soube que a “academia” debaixo do viaduto havia sido fechada e, nesta quarta-feira 12/09/07, lendo o artigo de Gilberto Dimenstein na Folha de São Paulo, “ Um arquiteto no ringue”, descobri o arquiteto-filósofo Igor Guatelli que adotou a tal “academia”. Ele é especialista na maneira como espaços vazios da cidade são ocupados e tomam novas significações. Como um exemplo ilustre, Gilberto Dimenstein cita a marquise do Ibirapuera de Oscar Niemeyer e os jovens patinadores que deslizam nela criando ali um ponto de referência.
Igor, não só ficou impressionado com a “academia” dos baixos do viaduto, mas resolveu ir à luta e brigar por sua permanência ali. O professor de projetos na faculdade de arquitetura do Mackenzie e seus alunos fizeram um novo projeto para a academia do treinador Nilson Garrido. Para os interessados em conhecer a proposta de academia dos baixos do viaduto do Café, acesse o site, http://www.dimenstein.com.br/.
por Paula Janovitch

sexta-feira, setembro 14, 2007

Mar de histórias: as nebulosas de Cubatão em registros fotográficos de Bob Wolfenson


Bob Wolfenson resolveu fotografar aquilo que muita gente viu e sentiu na infância e apenas deixou adormecido em memórias dispersas. Pois é, eu particularmente fui uma das crianças que via eternamente as chaminés e a nebulosa paisagem de Cubatão na descida da Serra e tinha a prazerosa sensação de estar chegando ao Guarujá. A minha felicidade naquele lugar misturava-se com um certo horror ao mau cheiro e uma enorme placa que dava para estrada com o número de acidentes de trabalho do dia e quiçá do mês. Depois vinham os banhos de mar, as patas de siri, o barco de inflar cor de abóbora e aquela lembrança das nebulosas de Cubatão na travessia para o mar ficavam para trás, coisas do caminho do mar...

Bob ao registrar em imagens o lugar que é (???) um ritual de passagem entre São Paulo e parte do litoral paulista, oferece a muitos viajantes um presente de rara beleza, com suas fotografias podemos parar e olhar aquelas memórias nebulosas e confusas que nos geraram tanto prazer e desconforto e ter sobre o emblemático lugar um sentimento coletivo de afeto. A exposição esta na Galeria Millan ( rua Fradique Coutinho, 1.360) de seg. à sex. das 11h às 19h.

por Paula Janovitch

O lugar da tragédia do avião da TAM já tem projeto de praça.

Um projeto da prefeitura lança proposta para o lugar demolido do galpão da TAM. Isto me lembrou o seminário da Casa da Dona Yayá que ocorreu ano passado, cujo debate versou sobre os lugares de memórias difíceis. O grupo que foi ao seminário saiu no outro dia para fazer um percurso em alguns lugares selecionados e considerados de memórias dolorosas ou difíceis em São Paulo. Eu adorei o passeio. Cheguei a escrever um texto sobre o evento que se encontra nos posts do Versão Paulo.
O projeto da praça elaborado pelo arquiteto Marcos Cartum para a tragéida da TAM, é delicado e bonito. Dois muros brancos quebrados e um acesso para uma praça com ipês amarelos.
A questão que não quer calar não é nem a idéia e nem o projeto, mas o lugar. Será que as pessoas que perderam seus entes e os habitantes do bairro desejam ter ali um monumento? As memórias difíceis, são também lugares difíceis e passíveis de inúmeros questionamentos. Diante deste pressuposto, será que o projeto de um monumento não veio antes das tantas perguntas serem feitas aos diretos e indiretamente envolvidos?
Não dá para esquecer que neste mês de setembro, exatamente em 11 de setembro um outro lugar de memória difícil esta sendo lembrado e questionada. Ao contrário de uma praça, a idéia de um monumento para o atentado em Nova Iorque tem as dimensões de um arranha- céu. Passaram-se seis anos daquela tragédia, e até hoje sua representação simbólica gera debates e mais debates. Por estas e outros ainda sou favorável à antiga tradição de velar os mortos, enterrá-los para depois pensar na maneira de representá-los.
Para quem quiser saber mais sobre o projeto , a matéria saiu na revista da Folha de 09/09/07.
por Paula Janovitch


Leia  o VerSão Paulo n.1 - Juó Bananére



Editora Carbono 14