sexta-feira, setembro 14, 2007

O lugar da tragédia do avião da TAM já tem projeto de praça.

Um projeto da prefeitura lança proposta para o lugar demolido do galpão da TAM. Isto me lembrou o seminário da Casa da Dona Yayá que ocorreu ano passado, cujo debate versou sobre os lugares de memórias difíceis. O grupo que foi ao seminário saiu no outro dia para fazer um percurso em alguns lugares selecionados e considerados de memórias dolorosas ou difíceis em São Paulo. Eu adorei o passeio. Cheguei a escrever um texto sobre o evento que se encontra nos posts do Versão Paulo.
O projeto da praça elaborado pelo arquiteto Marcos Cartum para a tragéida da TAM, é delicado e bonito. Dois muros brancos quebrados e um acesso para uma praça com ipês amarelos.
A questão que não quer calar não é nem a idéia e nem o projeto, mas o lugar. Será que as pessoas que perderam seus entes e os habitantes do bairro desejam ter ali um monumento? As memórias difíceis, são também lugares difíceis e passíveis de inúmeros questionamentos. Diante deste pressuposto, será que o projeto de um monumento não veio antes das tantas perguntas serem feitas aos diretos e indiretamente envolvidos?
Não dá para esquecer que neste mês de setembro, exatamente em 11 de setembro um outro lugar de memória difícil esta sendo lembrado e questionada. Ao contrário de uma praça, a idéia de um monumento para o atentado em Nova Iorque tem as dimensões de um arranha- céu. Passaram-se seis anos daquela tragédia, e até hoje sua representação simbólica gera debates e mais debates. Por estas e outros ainda sou favorável à antiga tradição de velar os mortos, enterrá-los para depois pensar na maneira de representá-los.
Para quem quiser saber mais sobre o projeto , a matéria saiu na revista da Folha de 09/09/07.
por Paula Janovitch


Leia  o VerSão Paulo n.1 - Juó Bananére



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