Achado e adquirido: Arquitetura Moderna Paulistana

Achei na feira do Bexiga o livro Arquitetura Moderna Paulistana, de Alberto Xavier, Carlos Lemos e Eduardo Corona, editora Pini, 1983.
A idéia do livro é fazer uma mostra/roteiro de vários exemplares de arquitetura moderna de São Paulo com os respectivos endereços. Ou seja, quem quiser, pode anotar o endereço e visitar . O único defeito do livro, que não é defeito mas pura preferência minha, é o fato da organização não ser por região, mas cronológica. Ficaria bem mais fácil e divertido se os autores apontassem percursos, mesmo que pequenos.
Voltando a ordem correta do livro. Tudo começa em 1927 com o primeiro projeto eleito como modernista, na Av. Angélica, 172. Um edifício de apartamentos do arquiteto Júlio de Abreu Junior. Aliás, todos os projetos do livro vem com um pequeno texto, uma fotografia ou duas e um croqui.
Logo na introdução os autores explicam de maneira sucinta o critério de seleção dos projetos considerados modernos e a dificuldade em definir o marco desta modernidade da arquitetura na cidade de São Paulo. E isto não é difícil apenas na arquitetura. Acho que todo mundo que trabalha com este período se depara com os mesmos pontos cegos do quando começamos a ser modernos, será que seria mesmo 1922?
Ai, ai, esta história de que nada de moderno existia antes da Semana de Arte Moderna já assassinou muitas produções interessantes da cidade de São Paulo. Na área da literatura por exemplo, escritores como Juó Bananére, Hilário Tácito, José Agudo e até o conhecido Monteiro Lobato que foram extremamente modernos, passaram ao largo dos participantes presentes na Semana de Arte de Moderna. Acabaram todos com o título duvidoso de pré-modernistas. Conceito totalmente equivocado. De fato foram modernos, ou para ser mais chique ainda como diz o professor Foot, foram antigos modernos. Isto de deixar fora da panela o tempero de época não foi apenas injusto com a produção cultural da cidade, mas de uma parcialidade que tem que ser revista e ampliada para podermos saborear o prato com todos os seus ingredientes.
Os autores deste livro de arquitetura, resolveram desenroscar este nó do primeiro exemplar moderno de arquitetura, definindo que a seleção dos projetos teria como parâmetro a arquitetura moderna racionalista e o domínio da tecnologia do concreto armado. No caso, o primeiro primeiríssimo exemplar de arquitetura moderna transpõe os muros de 1922 , escapa de São Paulo e segue direto para a estação de estrada de ferro de Mairinque (1907) onde Victor Dougbras utilizou pela primeira vez o concreto armado. Só depois de 20 anos é que São Paulo ganhou o seu primeiro edifício moderno, este que citei de Julio de Abreu Junior na Av. Angélica.
Bom, da minha parte, vou pegar o livro, abrir numa das páginas e ir para a rua fotografar aquilo que existe e o que já desapareceu da arquitetura moderna paulistana selecionada nesta obra. Aguardem futuras revelações...
por Paula Janovitch




3 Comments:
Olá, Paula. Também leio este livro, que encontrei na biblioteca de minha escola. Considero-o muito bom e gostaria de comprá-lo também, será que encontro mais onde você comprou? Se me permite, qual foi o valor?
Add no MSN se você tiver: danilo_patzdorf@hotmail.com
ou responda-me neste e-mail mesmo, por gentileza. Obrigado!
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Olá Paula, tudo ok? Li seu comentário a respeito do "período modernista" ou o que devemos realmente considerar como
"estilo modernista", já que os próprios arquitetos têm dificuldade em definir o que se deve entender por este tipo de "produção arquitetônica", ao menos, enquanto "gênero"! Existem, realmente, controvérsias a repeito! Há quem defenda que "a tentativa inusitada de iplementação" do modernismo no Brasil se deva ao pioneirismo do arquiteto russo Gregori Warchavchik (1896-1972). Segundo alguns críticos é a ele que devemos atribuir como sendo o "primeiro" a introduzir os conceitos de "racionalidade" adquiridos de "Le Corbusier" e aplicando-os já no final da década de 20, como é o caso de seu projeto à Rua Itápolis (Pacaembu) de 1927 e de sua própria residência à Rua Sta.Cruz -Vila Mariana (hoje tombada), também construída nesse mesmo ano. A peculiaridade nestes projetos ficou por conta da participação de sua mulher (Mina Klabin) em que
empregou, pela primeira vez, exemplos da flora brasileira aos jardins destas duas residências como o cactus, sendo o símbolo
do tropicalismo.Warchavchik causou forte reação por parte dos arquitetos acadêmicos e do público em geral, ao contrário do
que dizem a respeito da obra de Júlio de Abreu na Av. Angélica! Aqui talvez deva-se o motivo do "impacto"causado aos conservadores da época, ao definir tal procução como "modernismo", e não só pelo emprego dos materias como o concreto, o aço e o vidro. Ainda existe a dificuldade até em se definir o conceito de pós-modernismo"! O que se deve entender por isto? Hoje uma construção contemporânea com toques clássicos pode ser muito mais "moderna" do que uma construção "modernista" (tida pelos mais "desavisados" como atual, ou mesmo "arrojada").Cabe ao arquiteto justamente esclarecer o seu cliente de que um estilo representa uma "época" e que ele pode estar fora do contexto ou fora de moda!
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